1.2.05

Os pessoal do Erre Agá


Eu já conheci um pessoal nessa vida: maluco remedinho, gente que come cabelo, mendigo com mania de herói, militar solteirão, roqueiro alucinado me anunciando a vinda do messias, prostituta casada, criança com vida sexual, mas nada, folques, nada se equicompara ÀS MULHERES DO RH.

No decorrer de 2004 eu fui entrevistada por metade do rio de janeiro, fiz quatrocentas dinâmicas, repeti incansavelmente meus três pontos negativos e meus três pontos positivos pra tentar convencer 3 dúzias de mulheres de que eu seria importante pra empresa que elas representavam, participei de discussões sobre aborto e política externa, e escrevi uns quarenta textos pra vender meu peixe.

Para fins contratatíceos, quando não se tem uma família pra sustentar, mas uma família no pé, faz-se de quase tudo. E dá-lhe eu em agências, firmas, escritórios, postos de gasolina, cursos de inglês. E foi nesses lugares gelados, que eu, fantasiada de gente séria, aprendi a tomar notas sobre a raça do mal, e hoje, finalmente, eu posso falar:

Primeiro foi uma puta lá que dizia que “você tem que saber trabalhar SOBRE pressão”, depois outras cinco que me ligavam avisando que “a gente vai ta encaminhando pra empresa e assim que a gente tivé uma resposta a gente vai ta te ligando pra ta marcando uma entrevista.”. E por fim, “faça um texto tema livre”. Fiquei tão à vontade, mas tão à vontade, que fiz sobre o rock nos anos 60.

E não é só de gerúndio que vivem essas donzelas, vivem também de muita amônia e recursos cênicos esvoaçantes. As loiraças belzebu ou morenas toddynho têm entre 23 e 29 anos, todas noivas ou casadas, a maioria potranca, calças justas, ou, dependendo da idade, estampados, peitos flutuantes, pele manchada de sol e muito doirado pelo corpo, dos brincos aos umbigos. Queria saber quem deu início a essa espécie rara, se foram os répteis das faculdades de Psicologia ou as aves da Pedagogia.